Com um olho à Belenenses
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Nunca conheci pessoalmente o José António, longe disso, nunca sequer cheguei mais perto dele do que a distância que separa o peão da linha lateral, no Restelo. Tenho por ele a admiração que lhe deve qualquer adepto do futebol, e a gratidão que lhe deve qualquer belenense. Era acima de tudo um verdadeiro capitão de equipa. Foi um dos melhores líberos que passaram pelo futebol português, com direito à presença no mundial de 86. Era um líder dentro de campo. Fazia uma fantástica dupla de centrais com Luís Sobrinho a central de marcação. Não poucas vezes se fez a piada fácil do tio Zé e do Sobrinho, porque a sua autoridade na defesa fazia dele de facto uma figura tutelar. Tinha um inteligentíssimo sentido de posição, e de anticipação. Jogava limpo, sempre dentro dos limites, fazia pouquíssimas faltas, qualidade rara num defesa sobretudo antes da era do fair play, não me lembro nunca de o ver expulso por jogo violento. Como capitão defendia sempre a equipa, contestava todas as faltas que considerava injustas, também sempre dentro dos limites, não me lembro nunca de o ver expulso por indisciplina. Tão pouco me lembro de o ver envolvido em controvérsias. Modesto, talvez não se tenha apercebido da sua qualidade como jogador. Não fazia declarações polémicas, mas lembro-me de dar uma entrevista, depois de ser titular da selecção nacional na vitória em Estugarda que deu o apuramento a para o mundial do México, dizendo simplesmente que não estava à espera de ser convocado.
Teve a honra, como capitão, de levantar a Taça de Portugal em 88/89 (vejam, tem vídeos e tudo), o último troféu importante que o Belenenses ganhou até à data. Foi, sem dúvida, enquanto o Zé António foi capitão que vi o melhor futebol jogado pelo Belenenses. Depois de pendurar as chuteiras continuou no clube e fez tudo o que clube precisou que fizesse, nas camadas jovens, nos gabinetes, e chegou até a pegar interinamente na equipa principal quando o clube não conseguia arranjar treinador. Foi uma imensa perda para o clube.
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A melhor homenagem possível veio da parte da selecção nacional. Dois dias depois da sua morte, a jogar com uma braçadeira negra em sinal de luto, a selecção arrancou uma das melhores exibições e a mais importante vitória da fase de qualificação, no jogo contra a Eslováquia. Ganharam 2-0, e ficou-me na memória em especial a exibição do Cristiano Ronaldo. Eu, belenense, agradeço.
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